Arquivos de Categoria: reflexões

Novo site

Este post pretende ser o último por aqui, todo o material daqui vai para o novo site no domínio http://jetersilveira.com.br. Saudações!

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DESTINO

Contei os passos, os sonhos
Os fracassos, tudo.
Meu destino quer que eu chore.

Meu destino quer meu mundo
E o mundo, que eu me apavore.

Chorei. Lavei o raciocínio.
Mas que diabos é essa coisa
Que chamo de “meu destino”?

Na inocência de criança,
Vejo a volta da esperança
Alumbrando meu caminho.

Jéter Silveira

MALDADE

O tempo me priva, aos poucos,
De cada orgulho meu.
Cada vez que isso acontece,
Me torno melhor, e mais eu.

Me torno mais simples, e atento
A cada injustiça que passa.
Sinto, com amor, a desgraça,
E com compaixão o tormento.

E o mundo me priva, aos poucos,
De cada orgulho meu.
E a vida transforma a maldade
No melhor que me aconteceu.

Jéter Silveira

Homenagem à(s) Mulher(es) do Dia – 08 de março

Essa postagem é de véspera. Amanhã é o Dia da Mulher. Já vinha pensando que precisava fazer isso, e esta é a minha deixa. Preciso homenagear a Mulher do Dia. É uma dessas que sofre com a gente, choram com a gente, riem com a gente, e sentem muito mais felicidade do que nós mesmo quando estamos felizes. É minha mãe. Só que “mãe” é muito pouco pra ela, daí a gente chama ela de “Teta”. Sim, porque somos cinco crias que saímos das suas entranhas e que, desde que saímos de lá, não paramos de brigar por quem “mama” mais. Três dessas crias, aliás, são mulheres lindas, elegantes e fortes, exemplos a todo o gênero, e me enchem de orgulho. Em uma outra postagem aqui, falei do “Véio”, hoje eu falo da “Teta”. 🙂

Um pouco de história. Eu sou o mais novo da casa, então sei muito pouco. Sei um pouco de ouvir daqui e ali, de um e de outro, e sei que se conhecesse mais um pouco eu só iria me apaixonar mais. Minha mãe, quando era moça, antes de casar-se, já trabalhava duro. Quando criança mesmo, já trabalhava pesado. Filha mais velha em uma família onde não havia filho homem, ela era o “homem da casa”, depois do meu avô (nessas divisões de trabalho antigas onde homem trabalhava fora e no serviço pesado, e mulher ficava dentro de casa nas coisas – às vezes nem tão – “delicadas”). Meu avô foi reformado por problemas de saúde ainda novo da Brigada Militar (Polícia Militar do Rio Grande do Sul), por causa de um derrame que lhe paralisou completamente um lado do corpo. e manteve uma sapataria por um certo tempo. E o Seu Feliz nunca foi de ficar muito tempo parado: manteve uma sapataria por um certo tempo, construiu casa de fundos, levantando paredes e tudo o mais, com apenas um lado do corpo “funcionando”. Mas é claaaaro que ele não fez isso sozinho: sua filha mais velha, a Vera (ou, neste texto, “Teta”) estava lá, firme na paçoca, “pegando em qualquer ponta”. Minha mãe fazia de tudo: cavar buraco, fazer argamassa, pegar um ônibus para ir no centro de Porto Alegre comprar artigos de sapataria em lojas de freguesia predominantemente masculina (pra não dizer que “só tinha homem”), ignorando de cabeça erguida as palhaçadas dos machistas ignorantes de plantão. Minha mãe é uma dessas mulheres que, sem jamais ter levantado uma bandeira do movimento feminista, fez mais pela causa do que milhares de ativistas.

Casada, minha mãe logo teve que parar de trabalhar fora para cuidar dos filhos (meu pai não perdia tempo rs). Há alguns dias atrás, li e compartilhei um artigo intitulado “Mãe que fica em casa: você não deve ao mundo uma explicação”. Alguns dias depois, minha mãe dizia de uma “amiga” que contava vantagem sobre ela porque sempre tinha “trabalhado” e conseguido as “próprias coisas”… o mundo pede explicações a que não tem direito. Particularmente, não sei se seria melhor que minha mãe tivesse optado por uma carreira secular e acadêmica a cuidar de seus filhos da melhor maneira possível. Eu acho que ela trabalhou muito mais, com o tipo de trabalho que ela escolheu: ser mãe em tempo integral. Sendo dona de casa, minha mãe era responsável por lavar roupas, cozinhar, manter a casa toda em ordem… e isso, quando você leva em consideração que eram SETE moradores, não é naaaada fácil. Ainda mais, quando o seu trabalho é na sua própria casa: aí você não tem folga, férias, nem licença-prêmio.

Eu sou o mais novo dos cinco filhos e, quando fomos ter uma máquina de lavar roupas em casa, eu já tinha mais de cinco anos. Lembro muito bem: meu pai ainda teve que fazer um consórcio para comprar a máquina de lavar… daqueles programados, sabe? E ainda teve que manter em segredo da minha mãe até que saísse “sorteado”: imagine só, com tanta coisa “mais importante” e tanta conta que a gente tinha, botar “dinheiro fora” numa máquina de lavar??? Meu pai foi lá, comprou a “maquininha”. Uma daquelas PROSDOCIMO antigas que tinha um bloco de concreto no fundo (pesada que só!!) para não “pular” muito (e de vez em quando a gente ainda tinha que correr e subir em cima da máquina quando começava a centrifugar). Mas eu estou falando de quando eu me lembro!! E quando eu nem nascido era, e eles tiveram que se mudar em uma transferência não-solicitada de meu pai da região metropolitana da capital gaúcha para uma cidadezinha do interior onde nenhum dos dois tinha sequer um familiar! Nessa transferência, uma mudança épica (rs) em uma Brasília amarela que meu pai tinha na época, eu fui quem viajou mais confortável durante todo o tempo, mais seguro: na barriga dela 🙂

Em Cruz Alta passaram muitas dificuldades, moraram mal, com quatro filhos em casa de um quarto só… mas o mais interessante, e um pouco engraçado, disso tudo (rs :D), é que eles ainda conseguiam fazer CARIDADE!! Levaram de Porto Alegre pra lá uma velha senhora necessitada… pra ajudar e dar um apoio. Pobres dos meus velhos! 😀 haha Meu pai, claro, ia trabalhar nas noites frias, nos sóis quentes… mas minha mãe é que tinha que ficar em casa, aturar a velha, e ainda cuidar dos quatro filho de fora e do quinto de dentro da barriga!! Oh vida! rs 🙂 Nessa cidade eu nasci. Minha mãe iniciou lá um trabalho na igreja com um grupo de jovens, dando incentivo e valores pra uma juventude que era reservada ao segundo plano nos cultos e liturgias. Inteligente, sempre esforçada e dedicada a aprender, com um grande talento para a música, uma voz linda e um pulmão invejabilíssimo (alcançava a gente à longa distância, não adiantava se esconder kkk rs), ela deixou em Cruz Alta uma semente que brotou, cresceu e germinou. Muitos anos depois, quando foi morar em Cruz Alta novamente, encontrou seu grupo de jovens com famílias lindas, constituídas, todos eles até hoje apaixonados por ela.

teta

Teta e eu, gordo de tanto mimo e comida boa (a melhor comida do mundo é a dela, não contei, né?.. mas é reconhecida internacionalmente!!)

Preciso resumir. É difícil e injusto, mas vou ter de fazê-lo, pois dez anos de blog não seriam suficientes para fazer justiça. Nós mudamos pra cidade de Santiago (onde eles estão morando de novo, atualmente) antes de eu completar cinco anos, e minha mãe trabalhava na igreja dirigindo corais (teve um tempo que ela trabalhava com TRÊS corais ao mesmo tempo, em três bairros distintos), dando aulas na Escola Dominical – nossa.. as lições dela para crianças até hoje ficam na memória da gente!! Adultos disputavam lugar na platéia de suas lições! -, aconselhando jovens, até homens velhos, e até foi uma grande incentivadora da criação de uma banda de música na cidade (os músicos que iniciaram os trabalhos de aula de música na Igreja sede da cidade eram do nosso bairro). Sobre a Escola Dominical, quem não lembra da história do Edmundo??! Era uma história de um homem surdo e azedo que odiava crentes, e também detestava crianças, porque frequentemente surrupiavam frutas do seu pomar. Mas ele vigiava todo domingo um grupo de crianças que passava de manhã cedo por ali cantando uma música: “Jesus ama este mundo, ele morreu por mim…” Como era surdo, ele entendia que elas cantavam “Jesus ama Edmundo, ele morreu por mim…” E, como achava estranho, seguiu as crianças um dia, pra ver onde iam. Acabou entrando na igreja, ouvindo falar de Jesus e de seu Amor, e acabou se transformando de um homem azedo num sujeito de cara linda e sorridente, que adorava compartilhar as frutas do seu pomar com as crianças!! 😀 E essa história era contada com desenhos coloridos, figurinhas, cartazes, flanelógrafo… as músicas pras crianças todas eram escritas em cartazes coloridos, atrativos. Tudo muito especial.

De vez em quando reclamo da minha vida, acho difícil uma coisa ou outra. E aí lembro desses tempos… e fico imaginando. Minha mãe lavava à mão as nossas roupas, fazia nossas comidas sem auxílio de microondas e tele-entregas, e nunca tivemos um almoço atrasado, a roupa sempre cheirosinha. Na hora de ir pra escola, as crias saíam cheirosinhas, limpinhas, e bem alimentadas. E quando chegávamos ainda sentíamos de longe aquele cheirinho de bolinhos de chuva com café passado… 😀 Tudo com muito amor e cuidado. Quando nos lembrávamos disso trazíamos do caminho alguma flor de maçanilha ou cravo arrancada de algum lugar, que ela colocava num copinho cheio d’água e punha como decoração em algum lugar onde todo mundo pudesse ver. Minha mãe fazia nossas roupas!! Ela costura, faz tricô e crochê com uma habilidade que invejo até hoje kkk rs 🙂 Tentei já me aventurar nesse tal de crochê, mas fica tudo torto, um ponto maior que o outro, e demoro uma década para fazer cinco “correntinhas”. Ela faz um tapete todo em um dia, numa velocidade incrível, com um ponto apertadinho, alinhado, perfeito… #inveja kkk rs 😀 Ela selecionava os livros que a gente lia. Sempre lemos muito lá em casa, todos os filhos, e minha mãe sempre olhava os livros antes de a gente poder ler (muitos dos que ela censurava, ela levava pra ler, escondida kkk haha afinal era censurado só pra nossa idade hahaha).

Depois de tanto sofrimento com tanta cria (sofrimento que dura até hoje, ela ainda passa noites sem dormir de preocupação com a gente), ela finalmente teve tempo pra começar a investir nela mesma. Com mais de cinquenta anos, ela passou na primeira tentativa em todos os testes para obter a própria Carteira Nacional de Habilitação (certo que ela já tinha dirigido Opala e Kombi, né, aí esses carrinhos novos ficam fáceis haha), fazendo muito moleque corredor de Kart passar vergonha 😀 E ainda, no Detran do Rio Grande do Sul, um dos mais exigentes do Brasil nesse quesito (é absolutamente normal que jovens façam a prova três ou quatro vezes para passar). É incrível ainda que ela sempre diga, quando a gente faz qualquer coisa boba pra ajudar, “muito obrigado, meu filho” e “já fez demais”, quando você sabe que, na verdade, é completamente incapaz de fazer qualquer coisa que possa ser comparada com tudo o que já fizeram por você. Só resta aprender, amar, amar muito, e reconhecer que cada conselho dela sempre é do bom e do melhor: ela tem uma sensibilidade e um faro muito aguçado pra certas coisas 😀

O cafezinho virou "nossa tradição". :D

O cafezinho virou “nossa tradição” 😀

Enfim, essa é a mulher do dia. Não sabe o que fazer de mimo pra gente. Quando a gente fala de ir visitar, ela já está indo no mercado fazer compras, pra preparar coisas, comprar chocolate, doces, ingredientes pro sorvete delicioso que só ela sabe fazer, e café (muito café). O cafezinho virou “nossa tradição”. Minha mãe é muito cult hehe Com ela, eu parava depois do almoço pra tomar um cafézinho e assistir algum concerto do Josh Groban, “aquele cantor italiano da voz bonita” 🙂 Daí não dá pra falar tudo… acho que já passou um bom tempo desde que eu disse que iria resumir. Aí vou só colocar uma música aqui, que é pra dedicar pra Teta 🙂 A música é do cantor da voz bonita… Essa música se chama “You raised me up”. A expressão “raise up”, do inglês, pode significar “levantar algo ou alguém”, como está na tradução desta legenda, mas ela é utilizada também no sentido de “criar filhos”. Quando se diz “a mãe criou seus filhos”, diz-se “the mother raised her children”. 🙂 Tem uma mensagem subliminar aí, não tem?? 😀 Beijão, Teta!!!

Fica aqui, claro, a minha homenagem para as filhas da Mulher do Dia, que também são as minhas referências no gênero: a Queila (“Preta”), minha irmã mais velha (também minha “segunda mãe”, que me fez dar uma volta correndo no quarteirão, só de cuecas e todo ensaboado, para fins de me enxaguar no meu banho-de-chuva \o/ :D), a Daniela, ou Dani, minha irmã do meio (nossa desenhista, cantora, poeta, toda cheia de talentos… e gata!!!), e a Tamáris (“Tatá”),  a mais nova das três (minha companheira de mate, de cafezinho – e a gente tomava café juntos quase todo dia assistindo o “Bom Dia, Rio Grande” e monitorando as temperaturas em cada cidade kkk 😀 -, parceira pro que der e vier, e a mais nova mamãe da família!!! <3) Beijos a todas essas Rainhas da Criação! 🙂 rs

O Leão entre as dunas – Oscar Bessi Filho

oscar_bessiOscar Bessi Filho é um escritor gaúcho, colunista, que também é capitão da Polícia Militar do Rio Grande do Sul (a histórica Brigada Militar). Um sujeito dotado de uma percepção humana incomum e que o torna um elemento de destaque e, como já disse outras vezes, uma personalidade que me traz muita esperança, em tempos que Segurança Pública e Direitos Humanos parecem coisas irreconciliáveis. Quem se dedica ao assunto, sabe que não são e, muito pelo contrário, muitíssimo interdependentes (veja um exemplo aqui). Mas eu falava do Oscar Bessi.

Consegui essa imagem aí à direita (espero não estar quebrando direitos autorais… rs) do site dele, e ela reflete aquilo que quero dizer. O capitão Bessi é um policial que adotou esse armamento muito peculiar para sua luta em prol da sociedade que se vê aí: a pena (de escrever, não a consagrada pelo sistema… rs). Já publiquei sobre um livro seu numa página que administro no Facebook,  o livro chamado “Um Caminho No Meio Das Pedras” (veja aqui na Livraria Saraiva). Esse livro é uma das provas de que este policial não se enquadrou obedientemente à sistemática da tal “guerra às drogas” que, além de não Capa_Caminhocontribuir em nada para a diminuição do uso, ainda mata, e mata muito. O Oscar Bessi optou pela única arma, a única metodologia capaz de vencer essa “guerra”: a educação. O livro trata da temática do crack e faz bastante sucesso entre o público infanto-juvenil nas escolas.

Enfim, gosto muito do trabalho dele e não perco uma oportunidade para “evangelizar”, para conhecidos e desconhecidos, a respeito de seus escritos. Isso porque sempre, em todos os debates que entro sobre qualquer tipo de assunto a respeito de melhorias sociais, chegamos no consenso de que é preciso educar. Educação tem que ser a prioridade, não apenas do Estado, mas de cada um de nós enquanto cidadãos, e pais, e filhos, e amigos, e colegas de trabalho. Sempre há uma oportunidade de diálogo, de intercâmbio de conhecimentos, acho que nunca devem ser perdidas. Só isso vai construir o respeito, o entendimento, e a clareza de entendimento que desejamos para a sociedade que sonhamos.

Finalmente vou compartilhar aqui a respeito de um folhetim (há quanto tempo você não ouvia falar disso, hein??) que o Oscar Bessi está publicando no Jornal Correio do Povo, um jornal gaúcho de grande circulação onde é colunista. É “Leão entre as dunas”, a história do detetive particular Edgar Leão da Silva, em um dos maiores casos de sua vida profissional, e está sendo publicado diariamente (exceto aos domingos) no jornal Correio do Povo em formato digital, disponível gratuitamente para nossa diversão (rs). Para ver o folhetim, clique aqui ou no banner abaixo. Não deixe também de conferir o site do Oscar Bessi (tem também a página do facebook), para conhecer seus outros trabalhos publicados!
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Ouvir estrelas…

A Noite Estrelada - Van Gogh

A Noite Estrelada – Van Gogh

Nesses tempos de diversidades, diferenças e busca de conhecimento e reconhecimento… os artistas se encontram e se completam: Van Gogh e Olavo Bilac, ao som de Don McLean. Dá pra aproveitar e refletir no diferente, no estranho e “esquisito”:  amar para entender 🙂

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto …

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”

Vou me ater ao trecho ainda otimista da letra de Don McLean:
Now I understand what you tried to say to me
how you suffered for your sanity
how you tried to set them free.
They would not listen
they did not know how
perhaps they’ll listen now. 🙂

Abraços!!

A PRINCIPAL NOTÍCIA DO DIA – The really big news

Tafuia, véio!!! Feliz aniversário! 😀

156015_859791627373372_551177714955159164_nQuero compartilhar aqui com vocês a GRANDE NOTÍCIA de verdade, notícia que realmente IMPORTA, principal manchete de hoje: é o aniversário do Elias Silveira, meu pai, progenitor, meu “véio”! 😀 hehe E eu estou cá longe, sem poder lhe dar aquele abraço e tomar os mates rindo das nossashistórias 😦 Mas se é assim, vai uma homenagem por aqui, que seja um mínimo! 🙂 Meu herói… exemplo de homem, cidadão, policial, militar, pai, é o meu heroizão de verdade! haha 😀 Passei o dia lembrando dele hoje, e essa frase “é o meu herói, né..” falei pra uns colegas aqui lembrando das histórias.. rs Isso só pra deixar claro que isso não é “marketing social de facebook” haha O véio é o cara! rs

As frases célebres que ele sempre diz a gnt nunca esquece. Quando algo dá errado, ou quando tudo mesmo dá errado, parece que a gente tá sempre no prejuízo, ele só diz a mesma frase, com a maior calma (só dele) e aquela voz rouca (rsrs) que todo mundo conhece: “Tem mais Deus pra dar que o diabo pra tirar”. Outra frase que sempre lembro, e que ultimamente tem sido bem vívida pra mim, pois desde que vim pra São Paulo – apesar dos muuuitos prejuízos e das tantas vezes que precisei ouvir que “tem mais Deus pra dar que o diabo pra tirar” (rs) – muita coisa boa tem acontecido, e uma em complemento da outra, como para me assegurar: “você está no caminho certo”; é que ele diz: “Quando as coisas são de Deus, é bem assim ó: dá tudo certinho, como se fosse uma engrenagem” – e faz com as mãos e os dedos uma engrenagem, dando a entender que “não fica nada sem resolver, nenhum espaço em branco, nada solto”.. hehe.

Além das frases, tem os versos. Sim, o véio é uma fonte de cultura!!! Os versinhos que ele canta pra mãe dentro de casa: “Lá vem um trenzinho / Carregadinho de flor / Também sou pequenininho / Carregadinho de amor.” E vamos ser sinceros, que ele é pequenininho todo mundo sabe e não dá pra negar MESMO… rs. E os versinhos bem humorados, de gaúcho valente: “Quem quiser saber meu nome / Dê uma volta no galpão / Que o meu nome tá gravado / Na folha do meu facão.” E vários outros que nem lembro.

Uma das histórias que lembrava esses dias é de uma vez que tivemos um incidente de carro, indo para o interior do interior do Rio Grande do Sul (para Caroví, um distrito de Santiago, onde a gente morava). Nós andávamos num Opala Comodoro (carro forte e muito bom de estrada, grande e pesado, quem conhece e já teve dá valor.. hehe), e vínhamos numa velocidade boa, talvez uns 60 km/h, numa descida de estrada de chão. Num calombo da estrada, o carro saltou e caiu em cima de umas pedras soltas da estrada: meu pai girou e girou o volante, lidou com os pedais, o carro deu uma volta de 360 graus completa, escorregando estrada abaixo, e parou bem certinho na estrada, perfeitamente posicionado, bastanto arrancar e seguir viagem.

[Quando lembro dessa história, lembro de uma outra que li há anos atrás, quando em um navio que enfrentava uma tremenda tempestade, tinha um menino que ria e ria milhões, enquanto todos os demais apavorados, e o capitão lhe pergunta: “garoto, vc está rindo de quê? não está vendo a tempestade que estamos passando? estamos sob perigo!!” E o garoto respondeu: “Não se preocupe, capitão! É meu pai que está no leme!!” Essas duas histórias andam juntas na minha memória, porque, de verdade, minha reação na hora foi essa: eu ria pra caraca! haha]

Tinha um pastor com a gente no carro, e um outro irmão de nossa igreja que ia também para pregar nesse lugar onde íamos, e os dois ficaram apavorados (eu achei tudo normal e divertido!! kkk rsrs). O pastor ficou esticado no banco, e o outro que estava comigo no banco de trás tava “branco” (rs). Quando o carro parou, o pastor disse, devagar e meio rindo: “irmão Elias… nos queremos chegar lá!” 😀 Até hoje rimos lembrando dessa história! Eu achava o máximo.. afinal, não tinha perigo nenhum, meu pai tava no volante!!

Podia contar aqui milhões de outras histórias, as histórias de polícia, de trabalho social e cristão, e as muitas outras que demonstram o caráter e a ABNEGAÇÃO desse meu velho, que é capaz (isso é verdade, mesmo) de andar descalço e mal vestido num frio e chuva, pra gente andar bem vestido e calçado. Ainda assim não diria tudo o que admiro nesse véio, que é, realmente, o “meu véio”. É assim que eu chamo ele desde que eu tinha uns onze anos de idade e a gente fazia argamassa, plantava amendoim, esticava cerca, metia o carro nos barranco (tá, essa parte era só minha kkk).. rs

Mas, falei das frases, dos versos, da argamassa, e não podia deixar de falar na PALAVRA, que é a palavra do véio, todo mundo sabe (rs), que aliás surgiu numa de nossas “argamassa”: TAFUIA, VÉIO! O verbo TAFUIAR, mais tarde descobri, tem no dicionário!! Quer dizer: “toca ficha, vamo lá”, é um incentivo, um “bora!!” hehe. A graça da história é que, fora de contexto, minha mãe pega a gnt fazendo massa e o véio mandando eu “tafuiar” a água (ou sei lá o que era) dentro da massa, sendo que não era pra fazer isso… aí a gnt começou a rir, e a mãe, sem entender perfeitamente o significado do verbo de nosso vocabulário peculiar (kkkk), fez uma cara de desaprovação: “humpf! sei muito bem o que vcs tão pensando!” 😀 haha

A saudade é grande dos meus velhos! Deu pra escrever até bastantinho.. kkk hehe Mas fica isso. E a música do Russ Taff (http://letras.mus.br/russ-taff/1546045/), que fala sobre essas coisas: a gente se preocupa com tanta notícia, política, saúde, esportes… mas as verdadeiras grandes notícias são as que estão mais perto da gente! 🙂 Uma pequena homenagenzinha, de LEVE, pro meu veião nesse dia dele! Pra terminar, vai aí uma musiquinha pra gente cantar junto, véio: “Tordilho Negro” 😀 huahua 😀 Bjãão!

Cláusula Perdida

Saulo Ramos, ex-ministro da Justiça e Consultor-Geral da República, intitulou seu livro de memórias de Código da Vida, fazendo referência à sua vida de estudar e trabalhar com códigos, numa conclusão de que a vida também tem o seu.

Pois nesse Código da Vida, às vezes,  a gente não passa de uma cláusula perdida que o Legislador esqueceu… dá até pra ouvir as vozes jurisconsultas: “é uma cláusula perdida!”