Arquivos de Categoria: militar

Novo site

Este post pretende ser o último por aqui, todo o material daqui vai para o novo site no domínio http://jetersilveira.com.br. Saudações!

Alvorada

Escola de Comunicações. Rio de Janeiro – RJ. Ano de Nosso Senhor de 2009.

Gumbo_Limbo_Tree_DeSoto_National_Monument

“Uma árvore bastante frondosa […] é a primeira coisa que enxergo na minha manhã.”

Alvorada. 5h50. No alojamento bem arejado, com janelas de ambos os lados por todo o comprimento, minha cama fica perfeitamente alinhada à uma delas. Tem um espaço correspondente ao telhado da calçada que une a porta do nosso pavimento ao contíguo, reservado aos sargentos alunos dos cursos de especialização e de aperfeiçoamento. Depois desse espaço, uma árvore bastante frondosa, que ultrapassa a altura da minha janela, e é a primeira coisa que enxergo na minha manhã. Dá pra ver o sol brilhando nas folhas, bem verdes, que parecem até refletir o azul do céu em  alguns pontos cintilantes. São seis horas, tem gente que já levantou, outros levantam agora. Os passarinhos cantam, espalhados nas outras árvores que existem ali, parecidas com a minha. Eu ainda espero. Nesse momento sempre me dá uma nostalgia sem tamanho.  Já faz tempo que estou aqui. No meio de tanta gente, e só.

Eu poderia ter feito tanta coisa… deveria ter estudado mais. Não deveria ter desistido dos cursos, da vida de estudante que levava. Lá eu tinha futuro. Aqui estou lutando para sobreviver, apenas, um dia depois do outro. Mas uma hora a formatura chega, e aí estou livre. Aí vou poder estudar, vou poder ir pra onde eu quiser, vou ter minha casa, meus móveis, um carro… e minha liberdade. Ou talvez nem tanto. De qualquer forma, pensar na formatura é ter esperança. Como dizem nossos instrutores: “nada pára a marcha inexorável do tempo”… Ainda estou com sono. A arrumação de cama, hoje, é complicada de fazer. A manta verde-oliva tem que ser dobrada e disposta como uma “linha” bem no meio da cama, e todas as camas tem que estar com a manta na mesma posição, tudo alinhado. E ainda vai ter treinamento físico com o…

— Bora, Silveirinha, vai se atrasar aí! — o colega da beliche do lado, o mais antigo e mais experiente do nosso pelotão, me chama para a vida real. Rolo na cama, desativo o “soneca” que estava para despertar alguns minutos depois, é deslizo para o chão, e começo a dobrar a minha manta. Eu sou é muito raro, mesmo.

O Leão entre as dunas – Oscar Bessi Filho

oscar_bessiOscar Bessi Filho é um escritor gaúcho, colunista, que também é capitão da Polícia Militar do Rio Grande do Sul (a histórica Brigada Militar). Um sujeito dotado de uma percepção humana incomum e que o torna um elemento de destaque e, como já disse outras vezes, uma personalidade que me traz muita esperança, em tempos que Segurança Pública e Direitos Humanos parecem coisas irreconciliáveis. Quem se dedica ao assunto, sabe que não são e, muito pelo contrário, muitíssimo interdependentes (veja um exemplo aqui). Mas eu falava do Oscar Bessi.

Consegui essa imagem aí à direita (espero não estar quebrando direitos autorais… rs) do site dele, e ela reflete aquilo que quero dizer. O capitão Bessi é um policial que adotou esse armamento muito peculiar para sua luta em prol da sociedade que se vê aí: a pena (de escrever, não a consagrada pelo sistema… rs). Já publiquei sobre um livro seu numa página que administro no Facebook,  o livro chamado “Um Caminho No Meio Das Pedras” (veja aqui na Livraria Saraiva). Esse livro é uma das provas de que este policial não se enquadrou obedientemente à sistemática da tal “guerra às drogas” que, além de não Capa_Caminhocontribuir em nada para a diminuição do uso, ainda mata, e mata muito. O Oscar Bessi optou pela única arma, a única metodologia capaz de vencer essa “guerra”: a educação. O livro trata da temática do crack e faz bastante sucesso entre o público infanto-juvenil nas escolas.

Enfim, gosto muito do trabalho dele e não perco uma oportunidade para “evangelizar”, para conhecidos e desconhecidos, a respeito de seus escritos. Isso porque sempre, em todos os debates que entro sobre qualquer tipo de assunto a respeito de melhorias sociais, chegamos no consenso de que é preciso educar. Educação tem que ser a prioridade, não apenas do Estado, mas de cada um de nós enquanto cidadãos, e pais, e filhos, e amigos, e colegas de trabalho. Sempre há uma oportunidade de diálogo, de intercâmbio de conhecimentos, acho que nunca devem ser perdidas. Só isso vai construir o respeito, o entendimento, e a clareza de entendimento que desejamos para a sociedade que sonhamos.

Finalmente vou compartilhar aqui a respeito de um folhetim (há quanto tempo você não ouvia falar disso, hein??) que o Oscar Bessi está publicando no Jornal Correio do Povo, um jornal gaúcho de grande circulação onde é colunista. É “Leão entre as dunas”, a história do detetive particular Edgar Leão da Silva, em um dos maiores casos de sua vida profissional, e está sendo publicado diariamente (exceto aos domingos) no jornal Correio do Povo em formato digital, disponível gratuitamente para nossa diversão (rs). Para ver o folhetim, clique aqui ou no banner abaixo. Não deixe também de conferir o site do Oscar Bessi (tem também a página do facebook), para conhecer seus outros trabalhos publicados!
capa_leao

O militar, a Bandeira e Castro Alves

bandeiraCastro Alves é, por conta de “Navio Negreiro”, meu poeta favorito do Romantismo. Nesse post quero compartilhar esse poema, e uma versão declamada que encontrei no YouTube. Essa versão declamada, infelizmente, é incompleta, reduzida. Pode-se até dizer que um pouco machista a seleção das estrofes que, na parte V do poema, suprimiu as estrofes que falavam especificamente das mulheres, das crianças e das jovens negras. Todavia, não encontrei outro. Aconselho, então, a quem se interessar, que leia(m) o poema completo no arquivo PDF que disponibilizo ao fim dessa postagem.

A primeira vez que li Navio Negreiro em sua íntegra foi quando aluno do Período Básico do Curso de Formação de Sargentos (CFS) do Exército, que fiz no 6º Regimento de Cavalaria Blindado, em Alegrete, no Rio Grande do Sul. Incorporei lá em 9 de junho de 2008, recém completos 18 anos, dando início a uma etapa de aprendizado intenso e experiências marcantes. No Grêmio dos alunos do CFS tínhamos uma pequena biblioteca, constava de uma estante com alguns clássicos de literatura brasileira e outros livros da Biblioteca do Exército, uns manuais militares e livros de história militar. Dentre esses, lá estava Espumas Flutuantes, de Castro Alves, numa edição pela BIBLIEX.

Na primeira semana do curso, tínhamos que aprender uma canção militar por dia, que deveria ser apresentada no dia seguinte: todo o curso deveria cantar a canção, com vibração, para que os instrutores pudessem ver que todos sabiam. Evidentemente, alguns falhavam e eram imediatamente convocados para cantar diante de todos, o que era uma forma de fazer com que ninguém quisesse estar nessa situação. Assim, não raro virávamos a noite no Grêmio (só podiam ficar luzes acesas no Grêmio e nos banheiros, durante a noite) a fim de decorar as letras e melodias dos hinos e canções do exército.

Uma vez acostumado a esse “ritmo de estudo”, ler Espumas Flutuantes foi um trabalho leve. Consegui lê-lo em uma noite, e fiquei particularmente impressionado pelo poema Navio Negreiro, que acabei decorando as duas primeiras estrofes da parte VI. Essas estrofes, particularmente a segunda, me acompanharam durante o restante da minha vida na caserna. Lembro-me de, quando aluno do período de qualificação, na Escola de Comunicações, no Rio de Janeiro, quando estávamos em forma prestando as honras militares à Bandeira Nacional, na posição de sentido, sustentando o fuzil em “Apresentar Arma”, admirando a formosura e o significado do símbolo nacional que lentamente era hasteado à nossa frente, vinha-me à mente a segunda estrofe da parte VI:

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança…
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!…

Estamos às vésperas do início da Copa do Mundo da FIFA, que acontecerá no Brasil, e já provocou vários e alguns exagerados gastos por parte da Administração e muita objeção por parte de parcela considerável da população brasileira. Ainda assim, muitos de nós compram bandeiras, colocam em seus carros, e o sentimento de patriotismo parece estar mais à flor da pele. Interessante seria aproveitarmos esse momento histórico, quase cívico, para refletirmos sobre o significado desse símbolo que é a Bandeira Nacional. Mas, principalmente, a que tipo de nação ela está servindo, e de quê está servindo a esse povo? Será de mortalha?

É tempo, talvez, de refletirmos sobre a situação da educação em nosso país, com números de alfabetização que servem apenas para estatística, uma vez que alfabetizados mal sabem escrever o próprio nome, nunca leram um clássico sequer da literatura brasileira, e não tem consciência da importância da própria educação… Quem sabe, talvez, pensar sobre a saúde, sobre as condições gerais de transporte e de trabalho… sobre política! Que importante seria pensarmos sobre política, com honestidade. Mais importante ainda, pensarmos sobre nossos valores. Isso é o que significa pensar a que tipo de nação a bandeira está servindo: quais são os nossos valores?

O funkeiro MC Garden, na música Isso é Brasil, afirma: “Na Bandeira são somente cores, os nossos valores você não sentiu! Isso é Brasil! Isso é Brasil!” (veja a música aqui ou ao final do texto) Hoje aqui, nessa humilde texto, pergunto, no contexto da música do MC Garden: isso, realmente, é Brasil?? É isso que somos? É isso que queremos ser? Somos um povo que, ainda hoje, escraviza, maltrata, não tem saúde, educação, e se diverte enquanto tudo isso acontece?

Nós, militares, temos o costume de bradarmos: “BRASIL!” Mas, afinal… o que é Brasil?

 

Confira os vídeos do MC Garden e do Poema Navio Negreiro:

Confira o texto de Navio Negreiro, na íntegra:

https://jetervaz.files.wordpress.com/2014/06/o_navio_negreiro_de_castro_alves.pdf

O general, o capelão e o sargento

Essa eu ouvi do General-de-Exército Sérgio W. Etchegoyen, à época Comandante da 3ª DE, em Santa Maria, hoje Chefe do Departamento Geral de Pessoal do Exército. O General foi fazer uma palestra no Congresso Internacional de Direito e Política de Santa Maria, no lugar do Ministro da Defesa Nelson Jobim, sobre assuntos estratégicos e de defesa. Usando terno, gravata e, para “quebrar o gelo”, contou a seguinte anedota:

Conta-se que, na 2ª Guerra Mundial, houve uma rebelião em que foram presos os principais líderes: um general, um capelão, e um sargento. Foram condenados à morte por fuzilamento. O capelão solicitou, então, ao comandante da prisão responsável pela execução, que lhes concedesse a cada um último desejo. O comandante, então, respondeu:
– Tudo bem, capelão. E o que você deseja?
– Eu queria rezar a missa pela última vez com os meus fiéis.
– Concedido. E o senhor, general?
O general empertigou-se e respondeu, com energia:
– Eu gostaria… – fez uma pausa cerimoniosa – de dirigir a palavra, pela última vez, aos meus subordinados!
O comandante assentiu, respeitosamente, e seguiu:
– E você, sargento?
– Pelo amor de Deus, comandante, ‘me mata’ antes do general falar!!!

É DEVIDO AUXÍLIO-TRANSPORTE AINDA QUE UTILIZANDO MEIOS PRÓPRIOS PARA DESLOCAMENTO

Esse é para todo servidor público federal (inclusive e principalmente militar) que não recebe auxílio-transporte porque usa veículo próprio para deslocamento ao trabalho, por uma interpretação do art. 1º da MP 2.165-36/2001 que é restritiva à concessão do benefício, condicionando-a à utilização do meio de transporte coletivo. É jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça e dos Tribunais Regionais Federais no sentido de que é direito do servidor receber o auxílio-transporte, ainda que utilize meios próprios para o deslocamento afeto ao serviço.

Quando solicitar na via administrativa, será negado, então o militar (ou servidor público federal) deverá recorrer ao Poder Judiciário. Consulte seu advogado!

Confira no link: https://jetervaz.files.wordpress.com/2014/05/direito_auxilio_transporte.pdf