Arquivos Mensais: agosto \20\UTC 2015

QUE NADA

Eu amo esse imenso
vazio que eu tenho.
Um pouco de tudo
que foi, que fui,
que nunca…

Por todo esse nada que eu tenho,
tudo o que tenho é amor.

Se alguém rouba, e preenche,
o nada que é meu,
eu sempre retomo e, de novo,
sou nada mais eu.

O preço da liberdade
É um grande vazio
de saudade.
É um nada por dentro.
Que nada! É amor.

Jéter Silveira

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FRACASSO

Disse lá o velho apóstolo:
“O que quero fazer
eu não faço.
O que não quero fazer,
isso eu faço.”

Eu faço o que quero
Quando faço o que não quero.
Mas quero o que faço
e o que não faço também.

Jéter Silveira

DESTINO

Contei os passos, os sonhos
Os fracassos, tudo.
Meu destino quer que eu chore.

Meu destino quer meu mundo
E o mundo, que eu me apavore.

Chorei. Lavei o raciocínio.
Mas que diabos é essa coisa
Que chamo de “meu destino”?

Na inocência de criança,
Vejo a volta da esperança
Alumbrando meu caminho.

Jéter Silveira

MALDADE

O tempo me priva, aos poucos,
De cada orgulho meu.
Cada vez que isso acontece,
Me torno melhor, e mais eu.

Me torno mais simples, e atento
A cada injustiça que passa.
Sinto, com amor, a desgraça,
E com compaixão o tormento.

E o mundo me priva, aos poucos,
De cada orgulho meu.
E a vida transforma a maldade
No melhor que me aconteceu.

Jéter Silveira