No domingo de manhã

Depois de sair da igreja, hoje pela manhã, fui ao supermercado. No caminho, passei por um garoto, em torno dos 15 anos, encostado num poste de uma esquina, com os olhos fechados como que dormindo (creio que estava mesmo), com uma placa de propaganda um condomínio no pescoço (daquelas placas que são uma seta indicando o caminho, e o garoto tinha q ficar ali, em pé).

Na volta do supermercado, passei por uma senhora, aparentando cinquenta e poucos anos (hoje minha mãe está fazendo 54 anos!), na mesma situação do garoto, com outra placa, igual a dele, suando em bicas. Ela suspirou quando passei… eu disse um “bom dia!” quase com vergonha de ter dito “bom dia” (só se fosse pra mim.. rs). Nesse momento, lembrei que há uns meses atrás, numa discussão com dois amigos universitários (um cursango engenharia e outro medicina), eles defendiam a tese que foi assim exposta por um deles: “quem está sendo explorado(a) num emprego é porque quer… se estiver sendo explorado(a), que peça pra ir embora e pegue outro emprego!” E eu e outro amigo, também estudante de direito, tentávamos fazer ver aos ilustres colegas o que a experiência de apartamento deles não lhes permitia conceber. Até hoje me entristece e me avilta que pensassem assim…

Bem, continuando, para aumentar minhas indignações com minha própria espécie, passei em frente a uma igreja. Ela tinha um nome criativo (nem lembro), mas embaixo a descrição: “igreja apostólica”. Era pra ser de algum efeito, acredito. Ouvi o que se falava lá dentro no microfone: “e então saíram com grande quantidade de ouro e prata, que haviam saqueado, e grande despojo trouxeram da batalha…”, algo assim. Continuei andando, tentando não fazer julgamentos antecipados, até que fiquei convencido pelo fechamento, que ainda consegui ouvir: “…e é essa promessa que Deus tem pra nós!! É essa promessa! Pra mim e pra você!!” Creio que a frase que melhor expressa meu momento indignação/perplexidade/decepção é essa: !!!

Fico feliz de lembrar que o pastor da minha igreja nem se chama de pastor… ele é “o Zé”. Faz questão de ser chamado assim. Cá pra gente, acho que ele tem até vergonha do significado que a palavra “pastor” tem tomado. Como ele mesmo, o Zé, diz: “ainda bem que Deus não é evangélico…”

E sempre, em qualquer debate empreendido com amigos ou alongamento que faço dos meus próprios pensamentos, chego(amos) na conclusão que precisamos de um povo com consciência de educação. Um povo que saiba que é preciso educar-se, para poder ser e ter um mundo melhor. É preciso. Renato Russo dizia: “é preciso amar como se não houvesse amanhã”. E é preciso estudar, pra que possa haver um amanhã.

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