Democracia se faz com educação

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Foto: Portal Terra. Acesse http://goo.gl/hkCPOI

DEMOCRACIA é isto: você poder fazer uma manifestação, livremente, até mesmo defendendo uma intervenção abertamente contrária à ordem jurídica vigente… será que teríamos em tempo de outrora tal liberdade? Temos liberdade para dizer o que pensamos. Ótimas as manifestações (isso, plural, foram vários grupos) ocorridas durante a Marcha da Família com Deus hoje, na Praça da Sé. É bom que o povo saia as ruas. É bom que o povo se conheça, se politize, e se manifeste politicamente, para poder crescer. Também foi bom para ver como está o conceito de democracia e de “cidadão-de-bem” (sic) na consciência geral dos manifestantes pró-intervenção militar: o cidadão que estava no meio da manifestação, junto com o movimento, foi expulso por vestir de vermelho[1]… será crime inafiançável, punido com o pau-de-arara, talvez. Tem gente que tem saudade… Como disse antes, “povo” não entende que o problema de Cuba não foi o comunismo como ideologia, mas a forma como se quis implementá-lo: à força, de forma antidemocrática, e com um militar no poder!

          Mas também é de se observar que o comportamento de outros grupos também tem deixado a desejar, não apenas nessa como em outras manifestações: não é tão democrático assim utilizar-se de agressões físicas às instituições e órgãos de segurança pública, quando nem se tentou manifestação por via pacífica, isso é também tentar impor-se pelo uso da força[2]. É certo que é uma forma de se fazer perceber, sim. Mas será necessário? Demonstre a força de suas idéias pela coerência, pelo número de pessoas em suas manifestações… a força é sempre último recurso, último: o primeiro e mais básico é o voto, o segundo é manifestar-se pela via democrática. Se a força for a primeira via, estaremos jogando no lixo todo o esforço democrático empreendido (por poucos, mas válido) até agora.

        Primeiro, é necessário saber o que se quer: isso exige maturidade. Bater pé e chorar sem saber dizer o que quer é coisa de criança, bebês fazem isso. Precisamos amadurecer como sociedade, como país democrático. É uma necessidade sempre emergente a educação, acompanhada do diálogo, para construir a consciência coletiva sobre a DEMOCRACIA. Não sejamos também como adolescentes que, rebeldes e desrespeitosos, gritam com os pais para que lhe façam as vontades. Levante-se, arrume sua cama, e faça seu café! Não é hora de voltarmos atrás, de regredirmos à ponto de perder o pouco de democracia que conseguimos conquistar. Ainda falta MUITO. É necessário ir à frente, não voltar atrás. Vamos todos nos manifestar, vamos exercitar nosso direito de expressão, vamos respeitar os direito de manifestação e de expressão dos outros, e nesse contexto todo vamos buscar alguma forma de construirmos, em conjunto, aquilo que programaticamente e, sonhando com a sociedade futura, colocaram no papel os constituintes de 1988: “uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias.”

           A vida não é feita de sonhos? Nas palavras de Vicente de Carvalho, não é a “esperança, em toda a vida [que] disfarça a pena de viver, mais nada”?[3] Se pensarmos que o Brasil é “isso mesmo”, que o brasileiro “não tem jeito”, é o que estamos dizendo de nós mesmos. Sugiro, a todos nós, a luta pela educação, pela informação, pelo conhecimento, pelo diálogo, pela democracia. Começando por nós mesmos, sendo mais democráticos: ouvindo mais, lendo mais, julgando um pouco menos, e condenando menos ainda. Quem sabe, provaremos errado Augusto dos Anjos, que ao prever a “multidão dos séculos futuros”, “meteu” as mãos na “consciência daquela multidão”, e “em vez de achar a luz que os Céus inflama, somente achou* moléculas de lama, e a mosca alegre da putrefação!”[4]

           “¡Quién sabe, Señor!” [5]

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DICA DE LEITURA! Encontrei esse texto, que achei muito bom, sobre educação, tratando a respeito desse tema: “ensinar é promover encontros”. É justamente isso que quis desenvolver nesse meu texto: é nesses encontros, que nós mesmos vamos promover, como sociedade, que ensinaremos a nós mesmos a sermos um Brasil melhor.  Leia Encontros, por Décio Cançado.

REFERÊNCIAS:

[1] http://noticias.terra.com.br/brasil/cidades/aposentado-e-expulso-de-marcha-com-deus-por-vestir-vermelho,2c65d85055be4410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html

[2] veja, no link acima, as fotos 49, 50 e 51, onde manifestantes agridem um policial pelas costas.

[3] http://pensador.uol.com.br/frase/NTQ5NDU0/

[4] http://www.jornaldepoesia.jor.br/augusto07.html#humanidade

[5] http://allpoetry.com/poem/8560787–Qui%C3%A9n-Sabe–by-Jose-Santos-Chocano

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2 Respostas

  1. Muito bom!
    Realmente, espernear querendo que todos os seus problemas sejam resolvidos pelo governo é uma atitude infantil.
    Por outro lado, poucas têm *acesso real* às informações e ao conhecimento necessário para entender o que quer para seu sistema de governo — por acesso real, quero dizer um acesso que inclua não somente acesso material para leitura de alguma coisa, mas também envolva possuir as ferramentas necessárias para sua compreensão (alfabetização, vocabulário sofisticado o suficiente, tempo disponível, etc).

    Tenho a impressão que nós brasileiros em geral ainda temos auto-estima muito baixa.
    Esse sentimento de inferioridade causa algumas reações (desde as ideias “brasileiro não tem jeito” até os esforços desesperados tentando provar que “o gigante acordou”).
    Boto mais fé na galera ler mais e se instruir, mas eu sou tendencioso — só mais um nerd leitor e nada politizado, hehe!
    Abraço!

    1. Junior!
      Disse bem! E infelizmente, esse sentimento de inferioridade do brasileiro é maximizado em parte por culpa de intelectuais nossos que, ao abrirem o leque de possibilidades, preferem mudar para fora do país, e ainda promoverem, de lá, a diminuição e a desmotivação dos brasileiros que insistem em lutar por um Brasil melhor. Culpa do egoísmo que não lhes permite perceber que, lutar por um “Brasil melhor”, não significa lutar por um ideário nacional positivado em uma folha de papel, mas sim buscar a melhoria das condições de vida das pessoas que nos cercam, principalmente nossas famílias.

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