“Não há atalhos para o conhecimento”

E ainda tem juristas defendendo (ad naoseiporqueantum tantum) a decisão do TST que, como disse o prof. Lênio Streck, conheceu um recurso “de ofício”[1]. O que não é tanto de admirar, afinal não foi um engenheiro quem redigiu o Ato Institucional nº5…

Até mesmo eu pude perceber a obviedade do absurdo na decisão do TST, mas duvidei-me: fiz uma consulta com uma jurista das confianças (prof. Jânia Saldanha, muito querida, conseguiu tempo para atender-me), que respondeu com a coluna do dia do prof. Lênio [2], tratando justamente do que eu chamei de “óbvio”.

Tem uma frase atribuída a Bertolt Brecht pela internet (não garanto a autoria – me falta leitura): “Que tempos são estes, em que temos que defender o óbvio?” Embora o óbvio seja uma ilusão, porque será sempre apenas a compreensão que temos do tanto que conhecemos mais nossos prejuízos sobre o que não conhecemos[3] (“os outros” também estão defendendo suas obviedades), às vezes, e é o que quero dizer aqui, pode significar apenas uma “lógicosimilhança”, uma proximidade mínima a um método científico e racional, ou quiçá um pouco de “honestidade intelectual”[4].

Seria a teimosia da defesa do “conhecimento parcial” do recurso por “afronta direta e literal” (que não existiu) falta de conhecimento? Não pode… uma simples consulta à Constituição! Talvez seja preguiça: desleixo com a própria educação, preferência pelos caminhos curtos, “jeitinho brasileiro”. Melhor dizendo, “o mal do brasileiro”. Como nos dizia a própria prof. Jânia, creio que citando o prof. Ovídio A. B. da Silva: “não há atalhos para o conhecimento.”

Cabe até a citação bíblica e profética de Oséias: “O meu povo foi destruído por falta de conhecimento.” (Oséias 4.6, NVI)

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[1] http://www.conjur.com.br/2014-fev-27/senso-incomum-dia-tst-conheceu-recurso-oficio

[2] http://www.conjur.com.br/2014-mar-06/senso-incomum-sempre-ainda-dura-face-ativismo-terrae-brasilis

[3] outra citação atribuída a Brecht (parecem contraditórias, algo como Caio F. Abreu no Facebook) parece mais interessante: “When something seems ‘the most obvious thing in the world’ it means that any attempt to understand the world has been given up.”

[4] http://filosofiadaciencia.wordpress.com/2010/12/22/honestidade-intelectual/

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