Arquivos Mensais: dezembro \26\UTC 2013

Livro dos Porquês

(me inspirei.. rs)

Quando eu era criança, eu e meu irmão éramos frequentes visitadores da Biblioteca Pública Municipal no Município de Santiago, no Rio Grande do Sul, onde crescemos. Lá tomávamos emprestado vários livros, particularmente a coleção Obras de Karl May, da qual acredito que ambos devoramos todos os livros que a biblioteca possuía. Dentre outros livros velhos que haviam por lá, eu gostava da série Tesouros da Juventude, que tinha uma versão ainda no português arcaico Thesouros da Juventude, de tão velha. Muito divertido.

Pois bem (e essa é uma outra lembrança de infância – “pois bem” era a expressão favorita do meu professor de Escola Dominical na Igreja), os livors da coleção Thesouros da Juventude tinha uma seção chamada “Livro dos Porquês”, que tinha respostas para perguntas como “Por que o sol é quente?” (pergunta fictícia, eram mais ou menos assim). Hoje, mais velhinho, eu queria respostas pra outros “por quês”. Por exemplo…

Por quê ainda temos discriminação contra daltônicos obterem carteira de motorista no Brasil, AINDA?

Por quê é que enquanto o Projeto de Lei nº 4.937, de 2009, do Fernando Gabeira, que mudava essa situação, morre(1)… os deputados discutem e votam com agilidade um projeto para colocara PLACAS OFICIAIS nos CARROS PARTICULARES de deputados e senadores???(2)

Agora o caso tá nas mãos do Senado, retomado em novo Projeto de Lei pela Senador Ana Amélia(3)… Vamos ver no que dá! INCLUSÃO JÁ!

(1) Foi arquivado por término da legislatura (ficou mais de um ano APROVADO, e PARADO na Comissão de Viação e Transportes) http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=520689

(2) Dois links. É interessante ver o segundo, é a proposta do projeto de lei. É legal ver os argumentos do deputado pra buscar um privilégio em interesse próprio (detalhe: o site é ótimo, democracia ao acesso do povo, a gente tá ‘de olho’, deputado…): http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,deputado-quer-usar-placa-oficial-em-carro-particular,865193,0.htm http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=922221&filename=Tramitacao-PL+2369/2011

(3) http://www12.senado.gov.br/jornal/edicoes/2013/02/14/mudanca-em-semaforo-pode-garantir-direito-de-daltonicos-a-cnh

Medo de saber

Às vezes dá medo o conhecimento. Conhecimento, eu entendo, é poder. É uma forma de poder, bastante poderosa. Foucault, o filósofo francês, fez uma abordagem genial a respeito da relação entre saber e o poder. Já o filósofo Ben Parker, tio do Homem-Aranha, disse a frase: “with great power comes great responsability” (“com grande poder vem grande responsabilidade”). O conhecimento me dá medo. O medo do saber. O medo do poder. Ou talvez seja temor. O temor da responsabilidade. O temor de abordar as grandes questões da humanidade. O temor de entender tudo errado.

Como não seria interessante, de repente, viver aquela vida simples dos tempos de outrora, no campo e lavoura, sem ter muito a pensar nas tais “grandes questões da humanidade”?… Mas o temor é uma boa coisa. Mais uma vez recorrendo ao meu ‘backrgound’ cinefílico, creio que do rei Arthur essa frase, para seu leal cavaleiro Lancelot: “a man who fears nothing is a man who loves nothing” (“um homem que não teme nada é um homem que não ama nada”). Temo porque amo. Esse temor me torna ponderado. Me torna escravo da mais poderosa ferramenta para unir, restaurar, e conciliar: o amor.

“Para o triunfo do mal só é preciso que os bons homens não façam nada.” Edmund Burke

Curso – Lutas Constitucionais no Mundo Islâmico

Pessoal, tem um site muito interessante que tem muitos cursos gratuitos, online, para se fazer, alguns deles, mediante pagamente, fornecem certificação verificada (com uma espécie de assinatura digital da instituição de ensino). É o http://www.coursera.org.

Esse vídeo é uma aula do curso que vou fazer, que deve iniciar segunda-feira, com a duração de 10 semanas. O curso se chama Lutas Constitucionais no Mundo Islâmico (Constitutional Struggles in the Muslim World), com o Professor Ebrahim Afsah, da Faculdade de Direito da Universidade de Copanhegen, na Dinamarca.

A justificativa do curso é em razão das dificuldades (e nós acompanhamos nos noticiários as lutas e manifestações) do mundo islâmico em determinar uma forma de governo adaptada ao mundo moderno. O direito, no mundo islâmico, é amplamente o direito religioso, do Islã. O professor Ebrahim, nesse vídeo, apresenta quatro diferentes grupos ou abordagens sobre o problema constitucional do mundo islâmico no mundo moderno.

O primeiro grupo ou abordagem é o dos Emuladores, ou Secularistas. A idéia dessa primeira abordagem é uma total emulação (como “imitação”) do Oeste, ou do Mundo ocidental. Nessa visão a religião deveria ser restrita ao privado, e o estado deveria ser laico, como no entendimento secularista. Como exemplo as universidades, como a Universidade do Cairo, que funciona aos moldes do ocidente, não da religião, mas do racionalismo.

O segundo grupo é dos Modernistas Religiosos, que querem estar próximos da tradição, que é a religiosa, porém propõem uma reforma (o professor cita Marrocos e Tunísia como os países provavelmente mais próximos dessa abordagem – tenho uma amiga na Universidade do Sul da Flórida indo pro Marrocos ano que vem para aprender Árabe.. diz ela que virou muçulmana hehe). A reforma se daria no âmbito das concepções da família, particularmente no papel da mulher na economia moderna, porém pautada na religião.

O terceiro grupo é dos Tradicionalistas, que defendem que está bem assim, e que o mundo islâmico não precisa mudar nada. Os governos islâmicos, as sociedades islâmicas, não estão apenas bem como estão, mas ainda são superiores às sociedades ocidentais. E apontam como defeito os altos índices de divórcio, as desestruturações familiares, a prostituição, etc.

O quarto grupo é o dos Fundamentalistas, que acreditam que precisa mudar, mas no sentido dos fundamentos da religião. Acreditam que deve haver um retorno às origens da religião, uma tentativa de reproduzir a sociedade como havia sido proposta pelo Profeta. Esse, segundo o professor, é um grupo bem diverso e ativo, bastante teoricamente produtivo. É a visão do Islã como única ordem moral, como a terceira “forma de governo” (ao lado do capitalismo, e socialismo), o “third way”, como uma forma alternativa e superior ao capitalismo e o socialismo, pautada nos fundamentos da religião.

Esse é um resumo dessa pequena introdução em vídeo do Prof. Ebrahim ao curso.

Quem tiver interesse, e só entrar em http://www.coursera.org e fazer o cadastro, que é gratuito. Esse curso é gratuito, e dá certificado de assistência.

Valeu!!!